terça-feira, 11 de outubro de 2011

Centro das atenções


Educação para o trânsito! Seu filho merece!

Disponível em: www.alobebe.com.br

Mais uma vez é do exemplo dos pais que surge a consciência das crianças, também com relação às regras de trânsito. Orientando os pequenos desde cedo, os pais estarão contribuindo para reduzir o risco de acidentes envolvendo seus filhos. O primeiro passo para isso é deixar bem claro para a criança que ela é uma passageira especial e até os dez anos deverá ir sempre no banco de trás.

Até atingir a altura de 1,40m é recomendável o uso de cadeirinhas de segurança. Depois disso, pequenas almofadas servirão para auxiliar na melhor adaptação do corpo da criança ao cinto de segurança. E a orientação dos pais não deve cessar nunca, especialmente sobre os riscos e perigos de colocar braços e cabeça para fora do carro.

A educação das crianças para o trânsito envolve também sua consciência dos deveres e direitos do pedestre. Até a idade de sete anos não se deve permitir à criança que circule sozinha, mas sempre acompanhada por um adulto. Mas muito antes disso, os pequenos já estão atentos à movimentação de pessoas e veículos nas ruas. É o momento de instruí-los sobre os principais tipos de sinalização no trânsito, como semáforos, faixas para a travessia de pedestres e pisca-pisca luminosos instalados nas garagens dos edifícios. E também restringir o uso de bicicletas, skates e patins a parques e locais adequados para esse tipo de atividade.

Código Nacional de Trânsito

A promoção de atividades que permitam à criança conhecer e vivenciar situações de circulação no trânsito, seja como pedestre ou passageira, é uma das exigências do Código Nacional de Trânsito.

Os Detrans das cidades brasileiras têm profissionais preparados para dar instruções nesse sentido a professores e alunos do ensino fundamental de escolas públicas e privadas. Em São Paulo, a Divisão de Educação de Trânsito do Detran mantém, inclusive, uma Cidade-Mirim, onde acontecem visitas agendadas pelas escolas.

Os recursos pedagógicos utilizados pelos policiais militares monitores vão desde palestras até dramatizações com linguagem adequada a cada faixa etária. Para transmitir aos pequenos noções básicas de segurança no trânsito e conscientizá-los da importância de garantir sua própria integridade física e a das outras pessoas valem canções e todo o tipo de brincadeiras. Os professores que acompanham o processo também são instruídos a relembrar o assunto em momentos oportunos. No interior do Estado, a mesma proposta é realizada pelo Programa Educativo de Trânsito "Clube do Bem-Te-Vi" desde 1990, através de visitas às escolas que agendam horários.

A idéia é, além de educar as crianças para noções de segurança, investir na formação de motoristas adultos mais conscientes sobre suas responsabilidades no trânsito.

Ensinamentos Básicos

  1. Em caso de acidente, somos sempre projetados contra o painel e o pára-brisa. Portanto, crianças devem andar sempre no banco traseiro, onde estarão mais seguras e protegidas.
  2. Crianças devem evitar jogar bola, andar de bicicleta e de skate na calçada. Uma boa alternativa são os parques, campos e escolas. Do contrário, as crianças correm o risco de serem atropeladas.
  3. Oriente seus filhos para que eles nunca coloquem o braço ou a cabeça para o lado de fora do veículo.
  4. Quando forem para a escola de ônibus, oriente as crianças para que só embarquem ou desembarquem quando o ônibus estiver totalmente parado.
  5. Ensine as crianças a não jogar lixo pela janela, explicando a elas que além de atrapalhar outros veículos, cada objeto jogado na rua contribui para aumentar a poluição da cidade.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Uma carga muito preciosa...

Daniela Dias.

No início do século, os Estados Unidos, pioneiros da indústria automobilística, criaram o transporte escolar. A primeira função do school bus era recolher as crianças em idade escolar que moravam na área rural e levá-las para as escolas nas cidades. A falta de tempo dos pais, associada às dificuldades do trânsito e o bom nome constituído pelo serviço no meio rural, fizeram desta modalidade de prestação de serviço um verdadeiro sucesso.

Oferecer serviços com segurança, regularidade e obter uma equipe capacitada a lidar com crianças e adolescentes são os pré-requisitos para quem atua no ramo de transporte escolar, que cada vez mais se torna competitivo. Cabe aos pais ou responsáveis ficarem atentos para o cumprimento desses critérios, afinal é a segurança dos pequenos que está em xeque.

O serviço pode ser contratado pelos pais ou por intermédio de escolas, academias etc. Um condutor de veículo escolar, além de devidamente habilitado, deve possuir boa aparência, inspirar confiança aos pais e também aos "passageiros" a serem transportados.
Não é uma tarefa fácil o transporte de 10 ou 15 crianças, às vezes relutantes em ir para a escola, ou ansiosas para chegar até ela!

Os motoristas de veículo escolar devem saber tudo sobre trânsito e direção. É necessário interesse pela atividade, senso de responsabilidade e iniciativa. Idade superior a 21 anos, habilitação na categoria D e aprovação em curso especializado nos termos da Lei, são outras especificações obrigatórias a esse profissional.

Outro fator fundamental é a existência de um mecânico para a manutenção diária do veículo. Em alguns casos, dependendo das dimensões do mesmo, é bom contar com um auxiliar do motorista, para garantir a segurança nas viagens.

De acordo com o Novo Código Nacional de Trânsito, os veículos escolares somente poderão circular em vias públicas com autorização emitida pelo órgão ou entidade executivos de trânsito dos Estados e do Distrito Federal, fixada na parte interna do veículo, em local visível, com inscrição da lotação permitida.

O documento exige o registro como veículo de passageiros e inspeção semestral para verificação dos equipamentos obrigatórios e de segurança, dentre outros fatores.

Equipamento registrador instantâneo de velocidade e tempo, lanternas devidamente dispostas e cintos de segurança em número igual ao da lotação, bem como outros requisitos e equipamentos obrigatórios, estabelecidos pela Lei, são imprescindíveis.

Observando essas regras básicas, pais e mães poderão contratar com muito mais segurança o serviço de transporte escolar.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Palmada Educa?

Psicóloga Márcia Resende.

Disponível em: www.alobebe.com.br

A palmada é uma ação rápida, que alivia os pais, mas nem sempre garante a mudança do comportamento da criança. Nesse momento, é preciso escolher o que é mais importante entre aliviar o descontentamento e ensinar o filho.

Ao usar a palmada, os pais esquecem que comunicam aos filhos que os problemas são resolvidos com agressividade. É, essa não é a maneira mais eficiente de solucionar uma questão ou de obter uma resposta.

Desenvolver outra estratégia para impor limites e educar com amor são atitudes fundamentais. Educar requer dedicação e envolvimento, é uma ação de amor e de limites. Encontrar o equilíbrio entre ambos é um dos principais desafios e um grande aprendizado para os pais.

Também precisamos lembrar que educar é um processo diário, construído por meio de ações, gestos e pensamentos. As crianças percebem tudo, mesmo quando ainda não sabem explicar o que estão observando e sentindo. Quando os pais têm opiniões e atitudes divergentes, os filhos percebem. Por isso, todos os detalhes são importantes no processo de educação. Educar é uma ação sutil. Uma alternativa eficaz para auxiliar nesse processo é Programação Neurolingüística (PNL). O programa tem o objetivo de acessar as potencialidades humanas, buscando alternativas diferenciadas para as mesmas questões, o que garante mais liberdade aos pais na hora de agir. Eles podem construir alternativas para educar os filhos com respeito e amor. Agir com segurança funciona mais que mil palmadas.

Quando uma criança age de forma malcriada é porque ela percebe que há espaço para isso ou alguma comunicação de que essa atitude é permitida. Por exemplo, se em toda vez que ela se comportar mal receber uma palmada, ela conseguiu chamar a atenção dos pais. Quando a criança quiser chamar atenção dos pais novamente, vai agir errado de novo. A palmada não deixa de ser uma maneira de dar atenção. Sabendo disso, os pais conseguem agir de diversas formas e estabelecer limites para determinados comportamentos. Se uma criança estiver brincando e fizer malcriação é mais educativo privá-la da brincadeira, explicando qual atitude impediu que ela continuasse brincando. A ação é mais educadora que a palmada. A educação também é prejudicada quando não há comunicação entre pais e filhos. Comunicar com amor e transparência, independentemente da idade a criança, é muito importante. Estabelecer os limites com os filhos e firmar acordos também é uma ação educativa.

Alguns pais costumam demandar limites que atendam apenas suas próprias demandas, eles esquecem que os filhos têm as suas próprias e, mais uma vez, a comunicação é o que viabiliza ajustar as expectativas de ambos os lados, gerando ganhos a todos. A PNL também é uma ferramenta que auxilia a comunicação entre pais e filhos, ampliando os canais para atender aos objetivos individuais e coletivos da família. Além disso, essas atitudes inspiram respeito, valor imprescindível para a boa educação.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

COMO DESENVOLVER A INTELIGÊNCIA DO SEU FILHO OU ALUNO

No dia 27 de abril de 2009, no Colégio Anchieta de Nova Friburgo, a equipe do Colégio Nossa Senhora das Mercês juntamente com outras demais escolas assistiu à palestra ministrada pelo professor de Física e psicólogo, Marcos Méier, cujo tema era:

Como desenvolver a inteligência do seu filho ou aluno.

O palestrante iniciou com a Teoria da Meditação, mostrando-nos que a qualidade da relação versus interação potencializa a aprendizagem. A seguir, sinalizou o quanto o ambiente pode interferir no desenvolvimento da inteligência. Isso foi concretizado através do exemplo de uma experiência feita com três ratos, sendo o primeiro colocado num local fechado onde a comida ficava próxima a ele; o segundo em um outro lugar também fechado, porém o alimento foi posto de forma que ele necessitasse de algum esforço para obtê-lo; já o terceiro, e último rato, fora preso em um espaço tendo que enfrentar o desafio de um labirinto para conseguir se alimentar .Mas, a cada dia, a comida era trocada de local o que tornava sempre mais difícil tal aquisição. No final de um determinado tempo, os dois primeiros ratos haviam morrido, enquanto o terceiro continuava vivo e bem ativo,tentando achar mais alimento.

Essa experiência serviu para nos alertar sobre a maneira como oferecemos ou não desafios às nossas crianças para que possam através de situação-problema desenvolver sua capacidade cognitiva.

Marcus Méier destacou também que, embora os 100 bilhões de neurônios da bagagem genética do homem vão-se perdendo ao longo do tempo, o número de sinapses pode ser aumentado mediante as possibilidades de estímulos que se receber. Explicou que a diferença no desenvolvimento da inteligência está na superação, por isso as crianças devem receber estímulos, problemas e desafios para serem resolvidos por elas próprias.

Ao estabelecer que a negligência é um crime contra o cérebro e tão prejudicial quanto à superproteção, Marcus Méier diz que esta última limita a capacidade do cérebro.

No que se refere à escola e família o nosso palestrante destaca o cuidado que se deve ter ao falar com os pais sobre o desenvolvimento do filho, evitando palavras que diminuam a imagem da criança, mas sim, elogiar o potencial dela e dizer que o mesmo pode ser bem mais trabalhado. Mostrar inclusive como é importante desenvolver a autonomia, fazendo com que a própria criança resolva os seus problemas. Tudo isso deve ser feito sem nenhuma força física. Ressaltou também: “Nós não somos facilitadores da aprendizagem, somos desafiadores das dificuldades.”

Foi tratado também da chamada Síndrome da Privação Cultural, ou seja, a criança é privada da própria cultura, pois o mundo não está sendo explicado para ela. Um exemplo disso é quando uma criança de 10 anos, que provavelmente já sabe sistema monetário, mas não lhe foi explicado como isso funciona no seu cotidiano. Portanto, esse conhecimento fica só na teoria e não é interiorizado,

Outros exemplos dessa mesma síndrome são os de crianças que ficam sozinhas; as que assistem à televisão o dia inteiro ou aquelas viciadas em vídeo-games. Entende-se então que é imprescindível tempo de mais qualidade para que haja uma boa aprendizagem.

Quanto ao papel do professor, Marcos Méier alertou que ele deve procurar, sempre que possível, desenvolver a autonomia do aluno e não tem que lhe ensinar, pois quanto mais o aluno aprende mais ele se apropria da cultura. “O verdadeiro mestre é aquele que ensina autonomia.”

Na mesma linha temática o palestrante apresentou-nos as fases da autonomia assim divididas:

Anomia - a fase do bebê- não há regras, nem limites;

Heteronomia- há excesso de normas, regras, limites que vêm do outro.

Autonomia – quando a criança já interiorizou e compreendeu todas as regras

Se todas as etapas forem desenvolvidas, a criança já possui autonomia, daí ela consegue ter percepção das coisas, o que torna possível a aprendizagem.

Em outro momento, Marcos Méier voltou-se mais para o fator emocional em que ele aborda a falta de afeto como sendo altamente prejudicial tanto para a criança, adultos e inclusive idosos. Explica que a criança necessita de afeto para desenvolver a sua autonomia. Já o adulto, embora precise muito, procura “disfarçar” essa carência afetiva o que não se dá com o idoso, pois esses fazem questão do toque, da proximidade. Quando há falta de afeto, de contato, de amor temos como resultado a depressão.

Ao se referir à Educação Infantil, Marcos Méier chamou a atenção dos ouvintes para as áreas (física, emocional e cognitiva) que devem ser trabalhadas no aluno. As sensações – os sentidos – são muito importantes, visto que trazem experiências anteriores, e a aprendizagem da linguagem e da escrita é o efeito colateral.

Quanto ao ciclo de aprendizagem, Marcos Méier o distribuiu assim:

1º. ) Aula- memória de curto prazo – a pessoa logo esquece o que foi apresentado.

2º. ) Lição de casa- memória de longo prazo- repetição do que foi explicado em aula

3º. ) Sono profundo- fixação- o que há na memória de longo prazo é fixado durante o sono

Um dos itens bem interessantes de se observar foi o de que dever de casa ainda é um dos recursos mais importantes para que a criança possa apreender, pois esse simples hábito de repetição é que vai construir a aprendizagem. Destacou também o hábito de seis semanas de repetição diária.

Marcos Méier observou que o adolescente não cria vínculo, para ele tudo é superficial, por isso devemos estar atentos a esse tipo de comportamento.

Citou que o trabalho, às vezes, não tem que ter prazer, mas sim, realização

Finalizou dizendo que as crianças, hoje em dia, não têm sono profundo, dormem pouco; logo não conseguem ter fixado aquilo que lhes foi explicado durante as aulas. Isso talvez se deva a tantas ocupações ou distrações a que são submetidos.

O nosso palestrante deixou claro que a apresentação de uma alternativa melhor não acarreta mudança nem faz as pessoas mudarem, mas sim, quando a dor de permanecer for maior do que a de mudar.

Portanto, é mister saber avaliar o que traz mais alegria ou lucro e optar , porém, tratando-se de crianças, adolescentes, jovens, entende-se que o melhor caminho é o professor, pais e todos os envolvidos no processo educacional inteirarem-se do assunto e dar uma orientação melhor e segura àqueles que realmente necessitam.


Professora Walknéia da Rocha Constantino.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Criança que ouve direito...

…não sofre para se socializar e tem um melhor desempenho na escola. Detectar distúrbios de audição precocemente — de preferência, ainda na maternidade — é a chave para contornar a surdez e ajudar a meninada a se desenvolver numa boa.

Por Camila Carvas

VALE DESCONFIAR DE PROBLEMA AUDITIVO QUANDO A CRIANÇA...

...demora a falar
...não reage bem a sons muito altos, como o barulho de uma porta batendo
...tem dificuldade para entender o que os outros falam
...não consegue se comunicar direito ao telefone
...aumenta frequentemente o volume do rádio e da televisão
...fala muito alto
...faz trocas ou comete muitos erros ao escrever
...tem problemas de compreensão
...é hiperativa
...é distraída e necessita que as ordens sejam repetidas

A história começa com as ondas de som de uma palavra penetrando no ouvido da criança. Orelha adentro, elas se transformam em impulsos elétricos que trafegam velozmente, de neurônio em neurônio, até alcançar uma área do cérebro chamada córtex auditivo. Lá, tudo é decodificado e essa complexa viagem se traduz, finalmente, na voz carinhosa da mãe ou na explicação da professora. Mas, quando algo dá errado durante o trajeto, uma porta de contato com o mundo exterior se fecha. O pior de tudo é que, sem ouvir, o pequeno tampouco aprende a falar direito. Mesmo assim, a surdez pode passar anos despercebida — aí, o silêncio só costuma ser quebrado com um susto diante do rendimento escolar.

Uma pesquisa realizada pela fonoaudióloga Ana Cláudia Frizzo, da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto, no interior do estado, avaliou 25 crianças, entre 8 e 14 anos, com dificuldades na escola e constatou que todas elas apresentavam alguma deficiência de audição. É mais uma prova da conexão entre a capacidade de ouvir bem, o desenvolvimento da linguagem e a performance na sala de aula. “A aquisição da leitura e da escrita é baseada na correspondência do som com a letra”, justifica Ana Cláudia.

Não restam dúvidas de que a perda auditiva, ou surdez, atrapalha o aprendizado e a socialização dos pequenos. Eles podem vir ao mundo com o problema ou, então, adquiri-lo em alguma fase do seu crescimento. “Hoje, felizmente, há menos casos de bebês que nascem surdos porque a mãe teve, durante a gravidez, doenças que comprometem o sistema auditivo da criança, como rubéola e toxoplasmose”, conta o otorrinolaringologista Lauro Alcântara, do Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba. Mas o sofrimento durante o parto e infecções contraídas na maternidade também podem provocar a deficiência.


Revista Saúde é Vital:
http://saude.abril.com.br/edicoes/0327/familia/crianca-ouve-direito-595854.shtml?pag=1

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Os avanços e desafios da relação ensino-aprendizagem

Armando Correa De Siqueira Neto

A educação, processo de desenvolvimento essencial ao ser humano, não é estática porque acompanha a evolução e, portanto, é dinâmica e adaptável a cada novo tempo que chega. Não obstante, são criados modelos de se educar que permanecem por determinado período – às vezes longo – nas famílias, escolas e organizações. Há uma constante preocupação quanto à validade de cada modelo, a sua obsolescência ou tempo de vida útil, levando muitos estudiosos a compreender o momento em que vive a sua sociedade e as novas demandas educacionais.

Quando se trata da educação no âmbito da formação escolar, veem-se constantes debates a respeito das formas mais adequadas para se promover as relações que permeiam o conhecimento. Percebe-se, cada vez melhor, a sutileza com que se processa a relação ensino-aprendizagem. Nomes consagrados do meio, a exemplo de Paulo Freire, revelam que "ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção".

Surgem, então, novos desafios para quem deseja construir métodos e estratégias educacionais de forma refinada, levando-se em conta a evolução pela qual trafegam mestre e aluno. Esse movimento não ocorre com facilidade, ou seja, opera-se uma revolução. Transformações desse porte causam o já conhecido caos, que só é descrito após a sua reorganização. Enquanto ele existe, pouco se percebe a respeito em virtude do furacão que se agita e dificulta a compreensão pelo tempo nele envolvido.

Ao focar esse tipo de desafio na vida escolar, devem-se levar em conta diversos aspectos colaboradores e de alta motivação, tais como:
- Considerar, enquanto avaliação preliminar, os alunos (o seu ambiente comum, os seus horários de estudo, idades e responsabilidades familiares e sociais, etc).

Observar o conhecimento prévio que cada aluno traz consigo, e as experiências. Relevar o fato de que este conhecimento já adquirido facilita a aquisição de novo saber, sem esquecer que deve haver o respeito para com a quantidade de novas informações a serem fornecidas diariamente.

No eixo da aprendizagem, encontram-se três elementos para adquirir o saber: qualidade, quantidade e tempo. Se há pouco tempo e opta-se pela qualidade, o resultado será baixa quantidade. Se a opção for pela quantidade, obter-se-á baixa qualidade. É uma escolha que deve ser feita mediante as condições existentes na programação escolar. Um bom planejamento deve prever essas condições para que possam gerar maiores êxitos.

Outro item importante é o conhecimento que o mestre tem, disponibilizando-o na construção do contato diário com os alunos. Boa formação profissional é sempre bem vinda. No entanto, deve-se lembrar que outros conhecimentos são também fundamentais, tal como o emprego das teorias e filosofias de liderança. Tem maior chance de facilitar o processo de ensino-aprendizagem o educador-líder ou líder-educador. Afinal este se conhece, conhece o outro e as mudanças que ocorrem ao longo da vida, exercitando a empatia e obtendo um diagnóstico constante de como os seus alunos aprendem, e ainda as suas dificuldades, anseios e as possíveis dificuldades de aprendizagem.

Alguns métodos facilitam e devem ser levados em conta: dinâmica de grupos para sensibilizar os alunos, discussão e construção do saber com maior participação (ainda que se inicie com raros alunos, tudo tem que ter o primeiro passo), elaboração criativa de apresentações sobre determinados conhecimentos (uso de recursos materiais e de idéias), recursos tecnológicos como projeções e aulas expositivas. Há, ainda, a preocupação do marketing pessoal que se forma, levando o aluno a se projetar no mercado de trabalho por suas habilidades: competências, aplicação prática, conhecimento e, consequentemente, o marketing da instituição de ensino, que é parte importante do currículo deste aluno. Logo, cria-se uma marca que identifica um bom lugar de formação e isso gera uma maior procura e crescimento decorrentes.

Organização e método podem complementar o arsenal do professor, criando uma estrutura de apoio além de atender ao funcionamento administrativo das organizações de ensino. Dessa forma, existe maior estabilidade e segurança, sem perder de vista a flexibilidade, para não se tornar rígido demais ou dificultar as mudanças e as novas adaptações evolutivas.

A atenção deve observar cada detalhe e servir como uma fonte de informações que se processa por meio da reflexão, que é sempre compartilhada na relação ensino-aprendizagem, levando ao desenvolvimento comunitário.

Armando Correa de Siqueira Neto é psicólogo, consultor, conferencista e escritor. Desenvolve treinamentos e é mestrando em Liderança.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Ensinar tem cheiro de oficina

(Para refletir: Pais e Mestres)


Ensinar tem cheiro de oficina

Marcos Meier


Quando eu tinha cinco anos de idade, costumava ir a oficina de meu avô e explorar os mais intrigantes objetos. Ele era um sapateiro. Não daqueles que, heroicamente, vivem a custa de pequenos consertos em botas ou sapatos; ele os construía do couro bruto até a última pincelada de tinta preta. Eu sentia o cheiro do couro, da tinta, da cola e do pó. Com cinco anos de idade, a imagem de um homenzarrão de avental de couro e uma faca afiada na mão impunha muito respeito. Mostrava-me o couro cru sobre o balcão, os moldes, os cortes, as formas, as máquinas de lixar que ele próprio inventara e o processo de fabricação até o produto final sobre a prateleira.

Mas não era essa imagem rude que me fascinava. Era seu jeito carinhoso de pegar-me no colo, abrir um jornal e explicar com uma paciência enorme o som de cada sílaba e o nome de cada letra. Não havia uma didática especializada, não havia nenhum método pedagógico específico, mas fui alfabetizado. Aprendi a ver o mundo inteiro através daquelas páginas enormes suspensas no ar por mãos calejadas, rudes, ásperas.

O que fez a diferença? Por que ainda hoje lembro de sua voz, de suas correções e de seus elogios? Porque havia amor. As botas cano alto, os sapatos de salto ou o meu processo de alfabetização recebiam uma espécie de atenção que só existe naqueles que amam. Essa marca carrego ainda hoje. Lembro-me do carinho, da dedicação, das broncas e dos elogios.

Hoje meu jeito de ensinar esta impregnado pela memória de meu avo. Provoco meus alunos, aponto falhas, elogio seus progressos e acima de tudo, respeito-os.

Quando leciono, provoco reflexões, assumo o argumento contrário e luto por ele ate ser esmagado pela opinião bem fundamentada de meus alunos. Faço o contrário também. A síntese é construída por todos nós.

Quando apresento um conhecimento já elaborado por um autor, vou trocando idéias com meus alunos para que esse conhecimento possa ser incorporado, ligado, relacionado aquilo que eles próprios já construíram, possibilitando-lhes a aprendizagem significativa como diz o educador David Ausubel.

A maiêutica socrática em que uma ideia se faz nascer e em seguida e lapidada por meio de diálogo argumentativo é o tom de minhas conversas com os alunos.

Leciono em cursos de pós-graduação. Como trabalho final, os alunos precisam construir um texto. Escolhem o tema, a forma de desenvolver o artigo, as obras a serem pesquisadas, o problema a ser levantado e a hipótese a ser defendida ou negada. Esses alunos têm a possibilidade de criar, de serem autores. Em suas próprias vidas e isso que precisam constantemente fazer. Quando desistem desse projeto, tornam-se escravos da mídia, da sociedade capitalista, da ostentação dos bens materiais, da moda e do consumismo em detrimento dos valores humanos de solidariedade, amizade, tolerância e de luta por igualdade e justiça social.

Entretanto, surgem alunos que não "aderem" ao processo. Preferem aulas expositivas nas quais tudo e sintetizado e explicado de forma que possam, passivamente, receber as informações e anotá-las pensado que suas anotações, uma vez memorizadas, podem ser transformadas em notas. Triste realidade.

Os alunos que aderem ao processo são diferentes. São autores de sua própria história, como diria Paulo Freire. Assim, o desafio de alcançar os alunos passivos torna-se maior. É preciso dizer "não importa a nota, o que você veio fazer aqui?” "De que forma posso lhe ajudar?" Enfim, e preciso colocá-los no colo, abrir um jornal e carinhosamente ajudá-los a entender o mundo. Ajudá-los a perceber que não são as letras que importam, mas o que elas dizem. De vez em quando, uma bronca, uma provocação, uma pergunta para guardar. Outras vezes, é preciso mostrar o couro cru sobre o balcão e a bota de cano alto na prateleira, deixando que a imaginação preencha o espaço entre eles.

Meu avô faliu. A indústria de calçados aprendeu a fazer sapatos em série e a diminuir os preços. Ninguém mais queria suas botas e seus sapatos. Preferiam tênis ou sapatos que logo pudessem ser substituídos por outros mais modernos, "da moda". Entretanto, meu avô jamais foi um fracassado. Ele teve sucesso numa das maiores e mais significativas missões: educar.